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BULLYING

Posted on: maio 17, 2009

Texto: Dra. Relva
05/07/2005

bullying

Segundo o Cambrige Dictionary, “bulliyng” quer dizer “maltratar ou ameaçar alguém menor ou menos poderoso, forçando-o a fazer algo que não quer”. A tradução poderia ser “assédio”: assédio físico, assédio sexual, assédio moral. O bullying vem-se tornando prática cada vez mais freqüente em escolas, públicas ou particulares. As ações são dirigidas a qualquer um que seja “diferente” – gordinho, magrelo, nerd.

As ações são violentas e humilhantes, e de vez em quando atingem graus extremos, como as que vemos acontecer nos Estados Unidos, com uso de armas, e que deram lugar a filmes como Tiros em Columbine. As conseqüências são deletérias para a pessoa e a personalidade, ocasionando medo de ir à escola, vergonha, depressão, vontade de morrer. E um grande sentimento de impotência.

Na vida diária há outros tipos de “bullying”, configurados pelo uso do poder para conseguir favores sexuais ou pecuniários. Está em curso também – com sérias conseqüências – o assédio moral nas empresas e repartições. Assume desde formas veladas, como o boato, até níveis mais altos de desmoralização perante os colegas e o público.

Há três coisas sem volta: a palavra proferida, a flecha disparada, o tempo perdido. E a reputação. No caso do assédio moral, resta ainda ao humilhado e ofendido o ônus da prova, só que não encontrará testemunha contra a chefia. Não dispomos mais da presença de um Sócrates para indagar: é necessário? é útil? prejudica alguém?

As escolas têm reforçado a vigilância, outras promovem debates entre os alunos – são medidas paliativas. O que propicia tal comportamento é a perda vigente dos limites e o materialismo exacerbado, que não levam em consideração o outro. Enchemos nossos filhos de coisas, mas não lhes ensinamos solidariedade; estimulamos a competição para que obtenham satisfação plena dos desejos; e porque só pensamos em NOSSOS filhos e nunca nas outras crianças.

“Pensar enlouquece”, como se sabe…então, preferimos atacar os sintomas e não falar nas causas. A banalização do grande e do pequeno mal não mais preocupa – as coisas são assim, ou, como diz amigo meu, as coisas estão como elas querem. Pesquisadores de Harvard têm-se debruçado sobre a leniência dos pais para com a agressividade dos filhos e até o medo que têm deles. Filhos sem limites vão buscar na droga, no álcool, na anorexia, um modo de cancelar a realidade.

Para Tales Ab’ Saber, autor de “O sonho restaurado”, uma noite profunda caiu sobre nós: já não conhecemos nenhum valor que não passe pelas quantidades e pelo dinheiro. Depois, vamos todos marchar pela Paz. Pais, mestres, nós, todos, inquietemo-nos de não nos inquietar.

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A FORMA ESCOLAR DA TORTURA
Rubem Alves

Eu fui vítima dele. Por causa dele, odiei a escola. Nas minhas caminhadas passadas, eu o via diariamente. Naquela adolescente gorda de rosto inexpressivo que caminhava olhando para o chão. E naquela outra, magricela, sem seios, desengonçada, que ia sozinha para a escola. Havia grupos de meninos e meninas que iam alegremente, tagarelando, se exibindo, pelo mesmo caminho. Mas eles não convidavam nem a gorda nem a magricela. “Bullying” é o nome dele.

Dediquei-me a escrever sobre os sofrimentos a que crianças e adolescentes são submetidos em virtude dos absurdos das práticas escolares, mas nunca pensei sobre as dores que alunos infligem a colegas seus. Talvez eu preferisse ficar na ilusão de que todos os jovens são vítimas. Não são. Crianças e adolescentes podem ser cruéis.

“Bullying” Fica o nome em inglês porque não se encontrou palavra em nossa língua que seja capaz de dizer o que “bullying” diz. “Bully” é o valentão: um menino que, por sua força e sua alma deformada pelo sadismo, tem prazer em bater nos mais fracos e intimidá-los.

Vez por outra, crianças e adolescentes têm desentendimentos e brigam. São brigas que têm uma razão. São acidentes. Acontecem e pronto. Não é possível fazer uma sociologia dessas brigas. Depois delas, os briguentos podem fazer as pazes e se tornar amigos de novo. Isso nada tem a ver com “bullying”. No “bullying”, um indivíduo – o valentão – ou um grupo escolhe a vítima que vai ser seu “saco de pancadas”. A razão? Nenhuma. Sadismo. Eles “não vão com a cara” da vítima. É preciso que a vítima seja fraca, que não saiba se defender. Se ela fosse forte e soubesse se defender, a brincadeira não teria graça.

A vítima é uma peteca: todos batem nela e ela vai de um lado para outro sem reagir. Pode-se fazer uma sociologia do “bullying” porque ele envolve muitas pessoas e tem continuidade no tempo. A cada novo dia, ao se preparar para a escola, a vítima sabe o que a aguarda.

Até agora, tenho usado o artigo masculino, mas o “bullying” não é monopólio dos meninos. As meninas também usam outros tipos de força que não a dos punhos. E o terrível é que a vítima sabe que não há jeito de fugir. Ela não conta aos pais, por vergonha e medo. Não conta aos professores porque sabe que isso só poderá tornar ainda pior a violência dos colegas. Ela está condenada à solidão. E ao medo acrescenta-se o ódio.

A vítima sonha com vingança. Deseja que seus algozes morram. Vez por outra, ela toma providências para ver seu sonho realizado. As armas podem torná-la forte. Na maioria dos casos, o “bullying” não se manifesta por meio de agressão física, mas por meio de agressão verbal e de atitudes. Isolamento, caçoada, apelidos.

Aprendemos com os animais. Um ratinho preso numa gaiola absorve a informação rapidamente. Uma alavanca lhe dá comida. Outra alavanca produz choques. Depois de dois choques, o ratinho não mais tocará a alavanca que produz choques. Mas tocará a alavanca da comida sempre que tiver fome. As experiências de dor produzem afastamento. O ratinho continuará a não tocar a alavanca que produz choque ainda que os psicólogos que fazem o experimento tenham desligado o choque e tenham ligado a alavanca à comida.

Experiências de dor bloqueiam o desejo de explorar. O fato é que o mundo do ratinho ficou ordenado. Ele sabe o que fazer. Imaginem, agora, que uns psicólogos sádicos resolvam submeter o ratinho a uma experiência de horror: ele levará choques em lugares e momentos imprevistos ainda que não toque em nada. O ratinho está perdido. Ele não tem formas de organizar o seu mundo. Não há nada que ele possa fazer. Seus desejos, imagino, seriam dois. Primeiro: destruir a gaiola, se pudesse, e fugir. Isso não sendo possível, ele optaria pelo suicídio.

Edimar era um jovem tímido de 18 anos que vivia na cidade de Taiúva, no Estado de São Paulo. Seus colegas fizeram-no motivo de chacota porque ele era muito gordo. Puseram-lhe os apelidos de “gordo”, “mongolóide”, “elefante cor-de-rosa” e “vinagrão”, por tomar vinagre de maçã todos os dias, no seu esforço para emagrecer. No dia 27 de janeiro de 2003, ele entrou na escola armado e atirou contra seis alunos, uma professora e o zelador, matando-se a seguir.

Luis Antônio era um garoto de 11 anos. Mudando-se de Natal para Recife por causa do seu sotaque, passou a ser objeto da violência de colegas. Batiam nele, empurravam-no, davam-lhe murros e chutes. Na manhã do dia fatídico, antes do início das aulas, apanhou de alguns meninos que o ameaçaram com a “hora da saída”. Por volta das 10h30, saiu correndo da escola e nunca mais foi visto. Um corpo com características semelhantes ao dele, em estado de putrefação, foi conduzido ao IML (Instituto Médico Legal) para perícia.

Achei que seria próprio falar sobre o “bullying” na seqüência do meu artigo sobre o tato que se iniciou com: “O tato é o sentido que marca, no corpo, a divisa entre os deuses Eros, do amor, e Tânatos, da morte. É por meio do tato que o amor se realiza. É no lugar do tato que a tortura acontece”. O “bullying” é a forma escolar da tortura.

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1 Response to "BULLYING"

Quem o pratica morre cedo de mais porque deveria ezistir?
isso tem que parar num tou erta?????????/

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